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Gloria Guevara. “Portugal ainda tem muita margem para crescer”

Gloria Guevara. “Portugal ainda tem muita margem para crescer”

A presidente do WTTC acredita que o país deve investir ainda mais no turismo, diversificar a oferta e promover outras cidades

Falou na conferência de alto nível sobre o turismo, que teve lugar na semana passada no Parlamento Europeu, em Bruxelas, para defender o impacto do setor na criação de emprego. Antes de se dirigir aos eurodeputados, Gloria Guevara, presidente do Conselho Mundial do Turismo e Viagens (WTTC), conversou com o Dinheiro Vivo sobre os maiores desafios que o setor enfrenta e o exponencial crescimento de turistas em Portugal.

Acabou de assumir a presidência do WTTC. Quais são as suas principais prioridades para os próximos anos?

É verdade. Fui nomeada há poucas semanas e sou a primeira mulher neste cargo, o que é uma grande responsabilidade. Sinto que acabo por representar também as mulheres no turismo, que tem uma presença feminina muito grande. É um grande voto de confiança, estou bastante entusiasmada e sinto-me honrada com a oportunidade. Devido ao meu background, acho que tenho os olhos do setor privado. Mas por outro lado, falo a língua dos governos e percebo as suas preocupações. Assim, tento ver as coisas de uma perspetiva diferente. Estou completamente consciente acerca do valor que o turismo traz: 10% de PIB global e é responsável por um em cada dez empregos. Por outro lado, tenho noção dos desafios.

Que desafios são esses?

Vão desde a questão da segurança a desastres naturais e protecionismos. Na verdade, tudo o que nos rodeia impacta o turismo. Contudo, o setor é muito resiliente. Superamos as adversidades e ficamos mais fortes e mais rápidos, e vamos continuando a crescer, o que é maravilhoso. Isso diz-me que este é um setor muito interessante e excelente para aproveitar oportunidades. Uma delas é poder trabalhar com a agenda dos governos e, se por um lado, eles ajudam o turismo a crescer, por outro, isso também lhes traz crescimento e emprego. O turismo é melhor parceiro para os governos, sobretudo na questão dos empregos. Se compararmos este setor com outros, manufatura ou banca ou agricultura, o turismo cria muito mais postos de trabalho.

Um dos problemas do emprego no turismo, pelo menos em Portugal, é que este ainda é um pouco instável, devido à sazonalidade e precariedade por falta de contratos. O que pode ser feito para melhorar esta situação?

Acho que é uma questão de agenda. Temos de ter uma agenda bem definida com os governos porque o turismo é um setor muito grande, que engloba muitas indústrias: companhias aéreas, hotéis, cruzeiros, tecnológicas, aeroportos… e quando se olha para isso há um leque enorme de opções. Todos são diferentes e, por isso, é difícil generalizar e achar que todos os empregos são iguais. Há muitos trabalhos com qualidade. Temos membros do setor privado que trabalham com escolas e universidades, para garantir que se investe em educação e que os estudantes, quando terminam os cursos, podem ir trabalhar para estas empresas. O que precisamos também de trabalhar é em entender onde existem estes problemas. Cada país é diferente. No caso de Portugal, é importante perceber qual a situação e porque é que acontece e o que pode ser feito. Temos de perceber porque é que o trabalho é temporário ou porque é que os trabalhadores têm maus empregos, será porque lhe falta qualificação ou será por causa da legislação local? É preciso perceber as razões.

O turismo, tal como outros setores, sofreu também o impacto do desenvolvimento digital. Quais acha que são os maiores desafios trazidos por empresas como a AirBnb e a Booking?

O turismo deve ser dos setores que mais cedo sofreu o impacto do digital, há muito tempo já, desde os anos 80 ou 90. Temos que abraçar a tecnologia, temos de a tornar mais eficiente e também pô-la ao serviço dos turistas. Posto isto, é também importante garantir que há uma competitividade justa. Eu acredito que a concorrência é boa. É bom haver escolhas e os turistas devem poder ter acesso a todas essas escolhas. Por isso, é importante ter mecanismos que garantam que as empresas estão em pé de igualdade. No final do dia, o que importa é a experiência do turista. Por isso, acho importante recebermos bem todas as novas tecnologias que impactem o setor, até porque como já referi, o turismo é muito resiliente e sabe adaptar-se.

Acredita que as startups podem ter um impacto importante no turismo?

Sem dúvida. Vi recentemente um caso interessante em Málaga, com a cidade a trabalhar com a Harvard School of Public Health e o centro responsável pela saúde pública. Depois de uma sessão de formação com a comunidade, foram criadas 122 startups que tiveram impacto no ecossistema ambiental da cidade. Há espaço para os empreendedores e para as startups, claro. Temos só de garantir que eles têm o ecossistema correto para poderem desenvolver as suas ideias e transformá-las em negócios. Todos os destinos deviam trabalhar nisso.

Portugal tem tido um enorme boom no turismo. Qual acha que tem sido a razão?

É uma combinação de fatores. Por um lado, Portugal é um país maravilhoso e que tem feito um trabalho incrível de promoção e planeamento e que se tem esforçado em melhorar a sua oferta turística. É por isso que tem recebido tanta gente. Para além disso, está também a acolher pessoas que teriam preferido ir para outros países, mas que infelizmente por medo ou insegurança trocam de destino. Esse volume de turistas não foi planeado e pode estar a afetar tanto Portugal como outros países do sul da Europa.

O que se pode fazer para que questões como a segurança, o terrorismo e desastres naturais não afetem o turismo?

Infelizmente, vivemos numa altura em que já ninguém consegue garantir a nossa segurança. Pode acontecer qualquer coisa, no nossa caminho de casa para o trabalho, e ninguém nos consegue proteger disso. Não podemos deixar de viajar por causa disso. Como turista, eu própria, não vou parar de viajar. Adoro conhecer sítios novos, conhecer outras culturas e ter experiências diferentes.

Mas não existe essa preocupação?

Claro. Como turista, informo-me melhor. E, na verdade, sinto que estou mais desprotegida no meu país do que a viajar. Ao mesmo tempo, acho que existe uma agenda interessante que pode ser aqui trabalhada entre o governo e o setor privado para descobrir como, por exemplo, podemos usar a tecnologia para aumentar a segurança e, por sua vez, aumentar o turismo. O meu trabalho é trabalhar nisso. Estamos aqui para ajudar. É uma das minhas prioridades.

Como disse, as questões de segurança estão a trazer muitos turistas a cidades que não estavam a contar com eles. Há muitas cidades que já se estão a ressentir da massificação do turismo, como Barcelona, e também em Lisboa já se fala no assunto. Quando é que os turistas passam a ser demasiados e como se controla os efeitos negativos disso?

É muito importante pôr as coisas no seu contexto. O turismo traz prosperidade e se pensarmos em como eram estes destinos antes de serem tão bem sucedidos turisticamente ia encontrar locais com grandes taxas de desemprego, alguns com problemas de crime e falta de segurança e sem benefícios econômicos. Ou seja, o setor ajudou muitos países a ultrapassar os seus próprios desafios e limitações. Sim, os mais bem-sucedidos têm experimentado algumas dificuldades com as multidões. Há alguns fatores que têm provocado esta situação, por exemplo, turistas que viajavam para outros países, agora vão para o sul da Europa, entre Espanha e Portugal, e esses países não estavam habituados a receber tanta gente. E, por outro lado, fizeram-se campanhas turísticas bem-sucedidas e esse sucesso tinha sido subestimado, porque havia fatores que não tinham sido considerados. Ainda assim, o turismo tem sido uma força positiva para as cidades e deve haver um equilíbrio.

Mas não se deve procurar solução para o descontentamento das populações locais?

Deve. E nós queremos ser parte dessa solução. Por isso temos tido reuniões com experts que estão a fazer pesquisas sobre o assunto. Esperamos a 13 de dezembro já termos conclusões para apresentar, em Barcelona. O objetivo é saber exatamente que recomendações para atingir esse equilíbrio e criar uma agenda com as autoridades locais para fazermos esse caminho juntos. Concordo que ultimamente tem saído muita informação sobre a massificação do turismo, mas é preciso pôr sempre as coisas em contexto e, para dizer a verdade, não sei neste momento qual a dimensão do que estamos a falar. São alguns cidadãos que reclamam? São muitos? Estamos a falar do quê exatamente? Mas há essa questão e temos de a resolver. E a melhor forma para isso é pôr o setor privado a trabalhar com os governos. Há casos de sucesso noutras partes do mundo que conseguiram solucionar este problema relativamente bem.

Pode dar-nos exemplos desses casos de sucesso?

Não quero adiantar-me nas conclusões porque quero esperar pelos resultados das pesquisas que estão a ser feitas. Mas sei, por exemplo, uma cidade que geriu muito bem a massificação do turismo foi Miami Beach. Miami tem um grande porto, muitos museus e políticas para gerir os turistas muito bem definidas. Assim, sempre que têm eventos específicos de grande afluência, as autoridades locais estão preparadas. Mas este é apenas um exemplo. Há muitos outros, países que estão a diversificar a sua oferta, oferecendo outras escolhas, para permitir aos turistas fazer e visitar locais diferentes. No final do dia, é importante não nos esquecermos dos benefícios que o turismo traz. Temos de encontrar uma solução em que todos ganhem.

Acha que Portugal ainda pode crescer mais e tornar-se um destino de topo mundial, como França ou Itália?

Sim. Há uma combinação de fatores para isso acontecer. Para começar, existem os portugueses, que são fantásticos. Têm uma atitude muito boa e os serviços de acolhimento são excelentes. Isso é muito importante. Depois, Portugal tem bons ativos turísticos: uma grande cultura, boa comida. Basta continuar a trabalhar. O governo e as empresas têm de investir e a criar condições de investimento para que se criem novos produtos e se aposte em mais cidades, não só duas ou três. Acredito que Portugal ainda tem muita margem de crescimento.

Perfil. Combinação única de experiência e conhecimento

A mexicana Gloria Guevara Manzo assumiu a presidência do Conselho Mundial de Turismo e Viagens em agosto, sucedendo a David Scowsill, que abandonou o WTTC em junho. Saiu do no setor privado, tendo chegado a CEO da Sabre México, para ser Ministra do Turismo do país, entre 2010 e 2012. Trabalhou ainda como consultora na Harvard School of Public Health, como consultora. “O meu background é uma combinação de um pouco de tudo, como se costuma dizer”, afirmou ao Dinheiro Vivo. Gerald Lawless, Chairman da WTTC, quando a nomeou para presidente, destacou a sua “combinação única de experiência e conhecimento”.

Fonte: www.dinheirovivo.pt

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