fbpx

Notícias

O clube dos milhões não tem segredos para elas

O clube dos milhões não tem segredos para elas

São fundadoras, CEO ou sócias de empresas nacionais e todas juntas faturaram mais de 200 milhões de euros no ano passado.

Não querem ouvir falar de quotas. Encaram a lei que foi aprovada na Assembleia da República em junho, e que vai obrigar as empresas públicas e cotadas em bolsa a integrar 33% de mulheres nos conselhos de administração, como um “mal menor” na construção de um bem maior.

Nos encontros da Women Presidents’ Organization (WPO), uma organização internacional que reúne mulheres líderes de empresas milionárias, o tema é discutido apenas porque está nas notícias. As preocupações delas são outras. Querem contribuir para mudar um panorama que, apesar de ter evoluído nas últimas décadas, ainda coloca as mulheres longe do acesso a cargos de liderança nas empresas.

O último estudo da Informa D&B revela que no final do ano passado, 28,6% dos cargos de topo das empresas portuguesas eram ocupados por mulheres. O valor aumenta para 34,2% quando olhamos para os cargos de gestão. Em cinco anos, a presença feminina em cargos de liderança subiu 5,7% e em cargos de gestão cresceu 2,3%. Quanto mais jovens e mais pequenas são as empresas, maior é a tendência para colocar uma mulher na chefia. A disparidade ganha corpo nas empresas cotadas. Em 2016, as mulheres representavam cerca de 12% dos cargos de topo das empresas da bolsa. Ainda assim, cinco anos antes o valor não chegava aos 6%.

Também na política a disparidade de género se manifesta. Entre os quase 1500 candidatos às eleições autárquicas do próximo dia 1 de outubro, apenas 18% são mulheres.

Um outro estudo internacional, do Peterson Institute for International Economics, concluiu no ano passado que os lucros das empresas podem aumentar até 6% caso estas incorporem cerca de 30% de mulheres em cargos de liderança.

Nesta edição do Dinheiro Vivo, contamos as histórias de sete mulheres empreendedoras que estão a mudar as regras do jogo. São fundadoras, presidentes ou sócias de empresas nacionais, em setores tão díspares como a indústria, o direito ou a estética. Têm em comum as faturações milionárias das empresas que lideram. Todas juntas, geraram no ano passado mais de 200 milhões de euros. Querem transmitir às novas gerações que também elas podem ser donas disto tudo, sem terem que sacrificar nada.

Filipa Muñoz Oliveira

Filipa Muñoz Oliveira

Aos 26 anos vendia joias de milhões na leiloeira Christie’s em Nova Iorque. No escritório do Rockefeller Center, Oprah Winfrey era cliente assídua. Mas foi no centro comercial das Amoreiras, em Lisboa, que Filipa Muñoz Oliveira lançou a primeira pedra do negócio milionário que detém hoje. A ideia de arranjar as sobrancelhas com uma linha de algodão, uma técnica conhecida como threading, surgiu quando vivia em Londres. Filipa habituara-se ao método e quis trazê-lo na bagagem quando regressou de vez a Portugal.

Com um rascunho e muita persuasão, conseguiu convencer “um grupo de homens céticos” a abrir um quiosque de sobrancelhas num centro comercial. Andou no Martim Moniz a bater de porta em porta, em busca de quem dominasse a técnica da linha. Esteve quase a desistir, mas um anúncio na internet trouxe-lhe a pessoa certa. Em 2007, a Wink arrancou com três funcionárias. Hoje tem mais de 150 em 19 espaços próprios e faturou 3,5 milhões de euros no ano passado. Depois de conquistar o Brasil, onde se prepara para abrir o oitavo espaço, Filipa vai tomar de assalto o país vizinho. Através de uma parceria com o El Corte Inglés, a Wink vai abrir ainda este ano o primeiro quiosque em Vigo.

Helena Rodrigues

Helena Rodrigues

A empresa tem apenas quatro meses, mas os projetos do grupo Allby já saltaram fronteiras. O novo aeroporto internacional de Oecusse, em Timor, tem o carimbo de Helena Rodrigues, e os próximos projetos passam pelo Gana. A fundadora da Allby estudou Filosofia mas cedo percebeu que o futuro não passava por dar aulas. Ler a Bíblia e o Alcorão deu-lhe a bagagem intelectual que faltava, mas a conclusão da licenciatura abriu-lhe as portas de um mundo novo. Rumou a Trás-os-Montes para ser delegada de informação médica num laboratório espanhol e regressou à capital um ano e meio depois como delegada hospitalar.

Por ser “criativa demais” e nunca ter deixado de acalentar o sonho de um projeto próprio, criou a consultora Think Strategic em 2013, que foi evoluindo para desaguar este ano no grupo Allby. O casamento com um arquiteto fez que também nos negócios os dois criativos se unissem. Arquitetura, design, relações públicas e consultoria são algumas das áreas de negócio da empresa, que acabou de garantir o apoio do Portugal 2020 para apostar na internacionalização. Indonésia, Quénia e EUA serão os próximos alvos da Allby. Por cá, Sonae, Navigator ou Mercedes-Benz são alguns dos clientes da Allby.

Vera D’Orey

Vera D’Orey

Já se habituou a ouvir a frase feita de que é uma mulher num mundo de homens, mas para Vera d’Orey o preconceito nunca fez sentido. O setor automóvel está presente na vida da diretora de Novos Negócios do Grupo C. Santos desde o berço. A empresa é da família, mas Vera percorreu um longo caminho até estacionar. Depois de tirar Gestão na Universidade Nova e de ter passado pelo departamento de auditoria da KPMG, rumou com o marido à Argélia para uma experiência “incrível”. Viveu nove meses num hotel, “uma prisão de luxo” que até praia tinha, e ia para o escritório num autocarro escolar, porque a segurança na rua não existia.

Mas garante que o trabalho na startup de telecomunicações, onde ajudou a implementar um sistema informático, foi “muito enriquecedora”. Quatro anos em Londres e um MBA depois, é no grupo fundado pela família, e no escritório situado na antiga fábrica dos UMM, que Vera se sente em casa. Entusiasta do novo mundo dos carros elétricos, acredita que o futuro da indústria passará por aí. Os primeiros passos na C Santos estão dados com a criação da Mobiletric, que gere frotas comerciais elétricas, e o investimento na empresa de carsharing Mobiag. As duas principais empresas do grupo faturaram 150 milhões de euros em 2016.

Margarida Couto

Margarida Couto

Teve uma ascensão meteórica que “hoje seria impossível”. Aos 32 anos Margarida Couto já era sócia da Vieira de Almeida Advogados. Admite que a carreira “atípica” foi fruto do acaso, que a colocou na advocacia após a adesão de Portugal à UE. Foi durante anos a única sócia do sexo feminino e não foram poucas as vezes que ouviu, ainda que em tom de brincadeira, que estava no topo para preencher uma quota. Numa profissão hoje dominada por mulheres, a discriminação faz-se ao contrário. Quando entram estagiários, é preciso assegurar a paridade.

“Se o critério fosse só um, entrariam mais mulheres”. Especialista em telecomunicações, é no ativismo social que encontra a verdadeira motivação. Lidera o departamento que presta serviços jurídicos a quem não pode pagá-los. De todos os projetos que ajudou a criar, houve um que deixou marca. Corriam os anos 90 e era preciso fazer uma ponte de 16 quilómetros sobre o Tejo. “Era um projeto complexo, fizemos centenas de contratos. Quando começou tinha acabado de ter o segundo filho e quando a ponte foi inaugurada estava grávida do quarto. Costumo dizer que a Vasco da Gama é o meu sexto filho. A verdade é que deu mais trabalho do que qualquer um deles”.

Carla Gonçalves Pereira

Carla Gonçalves Pereira

As férias de verão eram passadas no escritório do pai entre os livros de contabilidade. Com 12 anos, Carla Gonçalves Pereira já adivinhava que o futuro passaria por seguir os passos do progenitor, que em 1968 foi um dos 16 fundadores da Sinase, uma das consultoras mais antigas do país. Assumiu a herança como uma missão, e com o objetivo de “transformar a empresa com o futuro em perspetiva”. Em quase meio século, o trabalho da Sinase deu muitas voltas, mas a base mantém-se.

Segundo a diretora-geral, a consultora continua até hoje a ajudar empresas portuguesas a entrar no mercado internacional e a apoiar o setor Estado na utilização dos fundos comunitários. A presença da Sinase em Angola desde a génese serviu de trampolim para outra aventura. No arranque do século, Carla pegou no conceito norte-americano da Future Kids, um centro de informática para crianças. Instalou-se em Lisboa e Luanda, mas a experiência foi diferente. “Cá trabalhava com computadores de linha branca mas em Angola quiseram computadores IBM”. A Future Kids fechou quando o negócio “deixou de fazer sentido”, porque “hoje as crianças já não aprendem informática”. A Sinase mantém o escritório e uma equipa residente em Angola.

Ana Paula Ferreira

Ana Paula Ferreira

É formada em Línguas mas o seu futuro estaria afinal escrito na pedra. Ana Paula Ferreira entrou para a Lusorochas em 1997 para liderar a área comercial da empresa especializada em transformação de rochas naturais. Em sete anos conseguiu aumentar as exportações para 90%, um valor que se mantém até hoje. Não demorou muito até se tornar CEO da empresa que em 2016 faturou dois milhões de euros a vender pedra portuguesa para todo o mundo.

É com orgulho que lembra a viagem que fez à Argélia, anos depois de a Lusorochas ter fornecido a pedra que sustenta o Ministério dos Transportes e Comunicações do país. “Tirámos uma fotografia ao edifício e veio um militar dizer que era proibido”. Acabou por conseguir trazer não só a recordação mas também outro contrato no bolso para fornecer “um grande projeto” argelino já a partir deste mês. Com o declínio do mercado asiático, a Lusorochas quer virar-se agora para o ocidente, e tem nos EUA o alvo principal. Ana Paula quer repetir a experiência que viveu há dois anos. “Fornecemos a pedra de uma mansão de três mil metros quadrados. Um dia estava a ver televisão e o dono estava a apresentar a casa. Era uma das mais caras dos EUA”. Valia 75 milhões de dólares.

Vanessa José

Vanessa José

“A contabilidade é um negócio de mulheres”, afirma Vanessa José. É uma das herdeiras da Conceito, responsabilidade que partilha com o irmão e duas primas. “Aconteceu de forma natural”, garante a empresária. O negócio que hoje fatura seis milhões de euros por ano e cresce entre 5% a 10% anualmente nasceu como part time familiar há 35 anos. Hoje dá emprego a quase 200 pessoas, 80% são mulheres, e é líder de mercado. Para Vanessa, os verões dos tempos de liceu eram passados a fazer contas. Ainda teve uma passagem pela Deloitte mas o chamamento do ADN foi mais forte. “É um projeto de vida. E não há nada melhor do que trabalharmos para nós”, sublinha Vanessa, que além de contabilista é a “bombeira” de serviço.

“Há pouco tempo surgiu um projeto pontual e não encontrámos a pessoa certa para o fazer. Decidi assumir eu sem dizer quem era. No fim a cliente queria manter-me e foi complicado explicar que fazia parte da administração”, conta. A terceira geração da Conceito já está a ser preparada. “O primeiro biberão da minha filha foi tomado numa reunião com um cliente. Ela tinha um mês e ele sabia que eu estava de licença. Mas tive de ir. Não é uma obrigação, dá-me um enorme gozo”.

Fonte: www.dinheirovivo.pt

Já pensou em investir em Portugal ?

Se já passa aqui as suas férias, porque não fica a residir? Para além de todas as razões que já conhece, saiba que Portugal possui condições atraentes para fazer aqui, o seu investimento.

Entre em contato conosco e faça como muitos brasileiros que redescobriram Portugal.

Fornecemos um atendimento personalizado e exclusivo, prezando pela segurança jurídica, realizando acompanhamentos do cliente em todas as etapas do negócio.

Leia também o “Descobrimento às avessas” , “Elite brasileira traz novos negócios para Portugal

Portugal um dos melhores países para viver” , “Crédito à habitação em Portugal. Saiba quais os municípios onde é mais fácil comprar casa” e “Já pensou em morar em Portugal? Saiba o preço médio de uma casa no país

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *