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Vendas no comércio tradicional crescem 6,5% até junho

Vendas no comércio tradicional crescem 6,5% até junho

Vendas no comércio tradicional crescem 6,5% até junho

Os portugueses gastaram 3.809 milhões (+3,9%) em compras para casa nos primeiros 6 meses do ano. Todas as categorias sobem, em especial as bebidas

Os portugueses estão a gastar mais na sua fatura mensal de supermercado. O mercado de grande consumo cresceu 3,9%, no primeiro semestre, para 3809 milhões de euros, sendo este comportamento transversal a todas as categorias de produtos. E a todos os canais de distribuição. Mas é no comércio tradicional que o consumo mais cresce: 6,5% face ao primeiro semestre de 2016. Um efeito do renascer dos centros das cidades e, também, do aumento da procura por parte dos turistas.

“As alterações dos hábitos de consumo favorecem o comércio de proximidade”, sublinha Pedro Pimentel, diretor-geral da Centromarca. A ida ao hipermercado para a compra do mês é algo que já não faz parte da rotina das famílias, que preferem ir mais vezes às compras e fazerem compras mais ponderadas, com o comércio tradicional a ganhar com isso. Por outro lado, o envelhecimento da população e o crescimento do fenômeno do turismo em alojamento local fazem, também, que haja uma maior procura do comércio tradicional. Um canal em que a moderna distribuição decidiu apostar crescentemente nos últimos anos, com a abertura das pequenas lojas de bairro, como os espaços Amanhecer e Meu Super, que procuram marcar presença junto dos locais de maior procura turística, conscientes de que este é um mercado a não desperdiçar.

Os dados do Scantrends da Nielsen mostram também um reforço do peso das marcas de distribuição e primeiro preço, as chamadas ‘marcas brancas’, que contam já com uma quota de 34,1%. É nos produtos alimentares em geral que os portugueses compram mais este tipo de artigos. No caso dos congelados, a quota ultrapassa os 48%. Nas bebidas, e em especial as alcoólicas, as famílias são mais fiéis aos fabricantes: só 11,1% das bebidas alcoólicas compradas são de ‘marca branca’.

Para Pedro Pimentel, este reforço das ‘marcas brancas’ mostra que, “embora se continuem a fazer muitas promoções, estas têm cada vez menos impacto no consumidor”, que, não comprando tantos produtos em promoção, acaba por regressar às marcas brancas. E tem também que ver com o efeito Mercadona, a cadeia espanhola que se prepara para entrar em Portugal, diz, e com a tentativa de fidelizar o consumidor a um determinado espaço comercial. Um atum Ramirez ou um detergente Skip é igual nos supermercados todos, mas as refeições prontas de um não são iguais às de outro. “Cada uma das cadeias sente que, nesta altura, não basta ter um bom sortido, bons fornecedores e boas marcas de fabricante, há aqui um fenômeno adicional de concorrência nas marcas de distribuição”, diz Pedro Pimentel.

É que a Mercadona só chega a Portugal no primeiro semestre de 2019, mas o seu efeito já se faz sentir desde que anunciou a abertura de quatro lojas no país. A questão é saber que modelo trará o novo concorrente para Portugal, um país onde 44% dos artigos comprados têm desconto, sendo que a cadeia espanhola é conhecida por não fazer promoções, apostando em preços baixos constantes. A grande incógnita é saber quem vai mudar a abordagem, se os que cá estão ou o novo concorrente. Para já, hipers e supers apostam em fidelizar os consumidores através das chamadas marcas brancas. “Basta olhar para os folhetos que nos chegam à caixa do correio, alguns deles são, integralmente, sobre artigos de marcas suas”, diz Pedro Pimentel.

Em termos de categorias de produtos, as bebidas não alcoólicas lideram as subidas. O calor – maio e junho foram meses com temperaturas mais elevadas do que o habitual – e o recurso crescente das famílias a bebidas não açucaradas ajudam a explicar estes dados, acredita o diretor-geral da Centromarca. O novo imposto sobre o açúcar levou os refrigerantes a aumentar em cerca de dez cêntimos e as vendas ressentiram-se, com uma quebra de 6% no primeiro semestre. Mesmo assim, o consumo de bebidas não alcoólicas subiu 14%. Para Pedro Pimentel, estes dados mostram, sobretudo, o efeito do alargamento da oferta das empresas em respostas às novas preocupações com um consumo saudável. “A questão do novo imposto acaba por ser uma razão adicional a uma opção de saúde que muitos já fazem. Assistiu-se ao aparecimento de muitas bebidas não açucaradas no mercado e que estão a impulsionar o consumo”, diz.

Nas bebidas alcoólicas, que estão a crescer 9% face a igual período do ano passado, Pedro Pimentel destaca o dinamismo do mercado das cervejas, também com um aumento da oferta. “A entrada no mercado de muitos produtos artesanais e semiartesanais está a puxar pelo consumo. São novas linhas que podem não significar muito volume, mas significam valor e diversificação”, sublinha.

Fonte: www.dinheirovivo.pt

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